No atual cenário econômico mundial, em meio a uma crise econômica que afeta a todos, as
organizações passam por profundas transformações. Algumas serão vendidas ou incorporadas
por grupos estrangeiros, outras se unirão ou adquiriram concorrentes para se fortalecerem. As
organizações existentes terão que competir com outras de capital estrangeiro ou nacional. Há
uma preocupação em manter a organização competitiva, mas há poucas que compreendem
que a função manutenção contribui de forma significativa, o que resulta em estratégias
equivocadas ou precipitadas.
A função manutenção dentro das organizações deve ser considerada um ponto crítico para o
aumento da competitividade contribuindo para o sucesso diante dos seus clientes.
Durante muito tempo ela foi considerada um “mal necessário”, mas com a competição entre
as organizações de diferentes regiões do país e de países diferentes, com diferentes níveis
socioeconômicos e culturais, chegou-se a conclusão que manter os equipamentos de forma
adequada é um dos pilares para melhoria da qualidade e economia no processo produtivo de
bens e serviços
Dentro da organização, a garantia da disponibilidade e confiabilidade dos equipamentos
conseguida com uma função manutenção eficaz e eficiente irá melhorar a competitividade.
Algo importante e não muito disseminado é a necessidade de uso de indicadores de
manutenção. Os gestores devem saber como está a função manutenção na empresa e se ela
está alinhada com os objetivos estabelecidos no planejamento estratégico.
O presente artigo tem como objetivo geral discutir a relação da gestão da manutenção com a
disponibilidade e a confiabilidade, e ainda mostrar a aplicação da gestão da manutenção na
busca de maior competitividade, para banir a subjetividade e propiciar as correções
necessárias a favor da melhoria continua.
Assim serão apresentados: Algumas ferramentas e estratégias de manutenção; os conceitos de
confiabilidade e disponibilidade e sua importância na função manutenção.
Formalmente, a definição de manutenção é a combinação de ações técnicas, administrativas e
de supervisão, com o objetivo de manter ou recolocar um item em um estado no qual possa
desempenhar uma função requerida, ou seja, fazer o que for preciso para assegurar que um
equipamento ou máquina opere dentro de condições mínimas de requerimentos e
especificações ABNT (1994).
As nomenclaturas também podem ser denominadas estratégias de manutenção. Kardec e
Nascif (op. cit.) dividem as estratégias de manutenção em: corretiva; preventiva; preditiva;
detectiva e Engenharia de Manutenção.
Antes de descrever as estratégias de manutenção é importante definir três termos: Defeito,
Falha e Função segundo Filho (2004):
- Defeito: é a alteração das condições de um item, máquina, sistema operacional, de
importância suficiente para que sua função normal, ou razoavelmente previsível, não seja
satisfatória. Um defeito não torna a máquina indisponível, não é uma falha funcional, mas se
não reparado ou se não corrigido levará a máquina ou o item à falha e a conseqüente
indisponibilidade com perda da função.
- Falha: é a perda da capacidade de um item para realizar sua função específica. Pode
equivaler ao termo avaria. É a diminuição total ou parcial da capacidade de uma peça,
componente ou máquina de desempenhar a sua função durante um período de tempo, onde o
item deverá sofrer manutenção ou ser substituído. A falha leva o item ao estado de
indisponibilidade.
- Função: é a finalidade para a qual um dispositivo, um equipamento, um sistema ou uma
instalação foi desenhado ou projetado ou montado. Conjunto de atributos que, juntos com
padrões de desempenho definidos pelos componentes, pelos equipamentos, ou módulos ou
sistema, conforme o projeto da instalação.
2.1.1 Manutenção Corretiva
A manutenção corretiva é uma forma primária de manutenção, pode sintetizar-se pelo ciclo
"quebra-repara", ou seja, o reparo dos equipamentos após a avaria. Constitui a forma mais
cara de manutenção quando encarada do ponto de vista total do sistema. Araújo e Santos
(2004), afirmam que a manutenção corretiva pura e simples conduz a:
· Baixa utilização anual dos equipamentos e máquinas e, portanto, das cadeias
produtivas;
· Diminuição da vida útil dos equipamentos, máquinas e instalações;
· Paradas para manutenção em momentos aleatórios e, muitas vezes, inoportunos por
corresponderem a épocas de ponta de produção, a períodos de cronograma apertado,
ou até a épocas de crise geral; É impossível eliminar completamente este tipo de
manutenção, entretanto pode-se observar que existem ações a fim de evitá-la, como
pessoal previamente treinado para atuar com rapidez e proficiência em todos os casos
de defeitos previsíveis e, com quadro e horário bem estabelecido;
Ela não é necessariamente uma manutenção de emergência, pois entra em ação quando há
quebra, ou quando o equipamento começa a operar com desempenho deficiente, ou quando a
função é violada. Em alguns serviços específicos, a manutenção corretiva não pode acontecer.
Por exemplo: a manutenção de aeronaves deve ser zero, pois é um objeto de altíssimo risco e
vidas humanas são colocadas em risco.
2.1.2 Manutenção Preventiva
Manutenção Preventiva, como o próprio nome sugere, consiste em um trabalho de prevenção
de defeitos que possam originar a parada ou um baixo rendimento dos equipamentos em
operação ARAÚJO e SANTOS (op. cit.).
Revista da Engenharia de Instalações no mar da FSMA nº. 03 Jan./Jun. 2009.
Araújo e Santos (op. cit.) listam como vantagens, entre outras:
a) Diminuição do número total de intervenções corretivas, reduzindo o custo da corretiva;
b) Grande diminuição do número de intervenções corretivas ocorrendo em momentos
inoportunos como, por exemplo: em períodos noturnos, em fins de semana, durante períodos
críticos de produção e distribuição;
c) Aumento considerável da taxa de utilização anual dos sistemas de produção e de
distribuição.
Existem também as seguintes vantagens: maior confiabilidade ao equipamento, mais certeza à
produção na entrega de lotes de produção, melhor previsão de disponibilidade do
equipamento e considerável redução do risco de anomalias.
2.1.3 Manutenção Preditiva
Kardec e Nascif (2001) definem a Manutenção Preditiva como a atuação realizada com base
em modificação de parâmetro de CONDIÇÃO ou DESEMPENHO, cujo acompanhamento
obedece a uma sistemática.
A Manutenção Preditiva também é denominada como Manutenção Preventiva baseada na
condição.
O objetivo deste tipo de manutenção é prevenir falhas nos equipamentos ou sistemas através
de acompanhamento de diversos parâmetros e permitindo a operação contínua do
equipamento pelo maior tempo possível.
Acompanhando o equipamento, quando o grau de degradação se aproxima ou atinge o limite
estabelecido para a variável monitorada, é tomada a decisão de intervenção. Normalmente
esse tipo de acompanhamento permite a preparação prévia do serviço, além de outras decisões
e alternativas relacionadas com a produção. Exemplo de aplicação de preditiva ocorre em
aeronaves com as seguintes ações: análise de falhas estáticas devido a cargas elevadas
(tempestades), análise de ruptura por fadiga nas junções das longarinas, análise de trincas nas
asas e análise de vazamentos nos sistemas hidráulicos e sistema de pressurização interna da
cabine.
As suas vantagens são: aumento da vida útil do equipamento, diminuição dos custos nos
reparos, melhoria da produtividade da empresa, diminuição dos estoques de produção,
melhoria da segurança e motivação do pessoal de manutenção. Muitas vezes a prática correta
da manutenção preditiva também ajuda a reduzir o custo da manutenção preventiva.
2.1.4 Manutenção Detectiva
Alguns equipamentos ao serem colocados em funcionamento fazem a chamada
autoverificação (self-test) e indicam se há alguma anormalidade, isto também pode ocorrer
durante o período de operação ou parada. A manutenção detectiva como sendo a atuação
efetuada em sistemas de proteção buscando detectar falhas ocultas ou não perceptíveis ao
pessoal de operação e manutenção.
A identificação de falhas ocultas é primordial para garantir a confiabilidade. É cada vez maior
a utilização de equipamentos digitais em instrumentação e controle de processo nos mais
diversos tipos de plantas industriais. O que diferencia a manutenção preditiva da manutenção
detectiva é o nível de automatização Kardec e Nascif (op. cit).
Revista da Engenharia de Instalações no mar da FSMA nº. 03 Jan./Jun. 2009.
Na manutenção preditiva, faz-se necessário o diagnóstico a partir da medição de parâmetros.
Na manutenção detectiva, o diagnóstico é obtido de forma direta a partir do processamento
das informações colhidas junto à planta.
2.1.5 Engenharia de Manutenção
Conjunto de atividades que permite o aumento da confiabilidade e da disponibilidade
garantida. Kardec e Nascif (op. cit.) a classifica como uma quebra de paradigma na
manutenção, deixar de ficar consertando continuadamente, para procurar as causas básicas,
modificar situações permanentes de mau desempenho, deixar de conviver com problemas
crônicos, melhorar padrões e sistemáticas, desenvolver a manutenibilidade, dar feedback ao
projeto, interferir tecnicamente nas compras.
2.2. Metodologias de Gestão da Manutenção
É comum a confusão entre as estratégias e metodologias de gestão da manutenção. Entre as
metodologias de gestão da manutenção, figura entre as mais utilizadas com sucesso:
· MCC - Manutenção Centrada na Confiabilidade
· MPT - Manutenção Produtiva Total
2.2.1. Manutenção Centrada em Confiabilidade – MCC
Utilizando o conceito genérico de Scapin (1999) podemos definir a confiabilidade como
sendo a probabilidade de um sistema ou de um produto executar sua função de maneira
satisfatória, dentro de um intervalo de tempo e operando conforme certas condições.
A norma British Standard (BS 4778) cita confiabilidade como a capacidade de um item
desempenhar satisfatoriamente a função requerida, sob condições de operação estabelecidas,
por um período de tempo determinado. Os estudos sobre confiabilidade surgiram na década
de 40, através da indústria aeronáutica. Com o aumento do uso de aviões como meio de
transporte de pessoas e materiais aumentou sensivelmente o número de acidentes. Um marco
importante desta época foi o início da investigação sobre a causa de acidentes aéreos,
enumerando-os. Essa nova atitude resultou no estabelecimento de itens de controle de
comparação entre o número de acidentes e o número de horas voadas, afirma Scapin (op. cit.).
Na década de 60, os acidentes aéreos ocorreram na razão de 1 acidente por milhão de
aterrissagens efetuadas. O trabalho de desenvolvimento inicial foi feito pela indústria de
aviação civil norte-americana.
Ela nasceu quando as empresas aéreas começaram a compreender que muitas das filosofias de
manutenção eram não somente muito onerosas, mas vivamente perigosas.
Esta percepção incitou a indústria a colocar juntos uma série de "Grupos de Direcionamento
da Manutenção" (Maintenance Steering Groups - MSG) para reexaminar todas as coisas que
estavam sendo feitas para manter suas aeronaves no ar. Estes grupos consistiam de
representantes dos fabricantes de aeronaves, das empresas aéreas e do governo norteamericano.
A primeira tentativa de um processo racional, base-zero, para formulação de
estratégias de manutenção foi promulgada pela Associação de Transporte Aéreo em
Washington, DC, em 1968. A primeira tentativa ficou sendo conhecida como MSG 1. Um
refinamento agora conhecido como MSG 2 - foi promulgado em 1970.
Na metade da década de 1970 o Departamento de Defesa dos Estados Unidos queria saber
mais acerca do então estado da arte do pensar a manutenção na aviação. Foi autorizado um
Revista da Engenharia de Instalações no mar da FSMA nº. 03 Jan./Jun. 2009.
relatório sobre este assunto vindo da indústria de aviação, escrito pelos engenheiros Stanley
Nowlan e Howard Heap, ambos da empresas United Airlines, para o qual foi dado o título de
Reliability Centered Maintenance - RCM. O relatório foi publicado em 1978, e ainda hoje é
um dos mais importantes documentos - se não o mais importante - na história do
gerenciamento de ativos físicos.
O relatório de Nowlan e Heap representou um considerável avanço sobre o pensamento do
MSG 2. Foi usado como uma base para o MSG 3, que foi promulgado em 1980. O MSG 3 foi
revisado duas vezes. A revisão 1 foi lançada em 1988 e a revisão 2 em 1993. É usada até hoje
para desenvolver programas de manutenção prévios ao uso, para novos tipos de aeronaves
(recentemente incluindo o Boeing 777 e o Airbus 330/340).
O relatório de Nowlan e Heap e o MSG 3 tem sido, desde então, usado como uma base para
vários padrões militares de RCM, e para derivativos não aeronáuticos. Segundo Nunes
(2001), a MCC é uma ferramenta de manutenção, que visa racionalizar e sistematizar a
determinação de tarefas adequadas a serem adotadas no plano de manutenção, bem como
garantir a confiabilidade e a segurança operacional dos equipamentos e instalações a um
menor custo. Este define a MCC como um processo usado para determinar o que deve ser
feito para assegurar que qualquer ativo físico continue a fazer sempre o que seu usuário deseje
que ele faça em seu presente contexto operacional.
A metodologia de gestão da manutenção MCC deve garantir que sete perguntas sejam
respondidas satisfatoriamente e na ordem mostrada a seguir:
• Quais são as funções e os padrões de desempenho associado ao ativo em seu presente
contexto operacional?
• De que modos ele falha para preencher suas funções?
• O que causa cada falha funcional?
• O que acontece quando cada falha acontece?
• Qual a importância de cada falha?
• O que pode ser feito para prever ou prevenir cada falha?
• O que pode ser feito se uma tarefa pró-ativa conveniente não puder ser encontrada?
As perguntas acima podem ser respondidas com a afirmação de Slack et al (op.cit.): “se a
manutenção não pode prever ou mesmo prevenir falhas, e as falhas têm conseqüências
importantes, então os esforços deveriam ser dirigidos a reduzir o impacto de tais falhas.”
2.2.2. Manutenção Produtiva Total - MPT
A Manutenção Produtiva Total – MPT surgiu na década de 70, dentro da indústria
automobilística japonesa.
Alkaim (op. cit) menciona que foi desenvolvida na Nippon Denso, a maior supridora da
Toyota, como um elemento necessário do novo sistema de produção da Toyota que
incorporava Controle de Qualidade Total (TQC), Just in Time (JIT) e Envolvimento dos
Empregados (TEI).
Qualidade e MPT funcionam em conjunto, corrobora para esta afirmação o que diz Slack et
al. (op. Cit.), “a MPT adota alguns princípios de trabalho em equipe e autonomia, bem como
uma abordagem de melhoria contínua para prevenir falhas”.
Revista da Engenharia de Instalações no mar da FSMA nº. 03 Jan./Jun. 2009.
Uma definição para MPT é a utilizada por Slack et al. (op. Cit.): “a manutenção produtiva
realizada por todos através de atividades de pequenos grupos”.
Como base nas citações anteriores, podemos afirmar que MPT é a forma de gerenciamento
que enfatiza a importância das pessoas, a filosofia do “fazer” e da “melhoria contínua” e a
importância do pessoal de manutenção e produção trabalharem juntos.
MPT preocupa-se com o repensar, fundamental, dos processos de negócios para alcançar
melhorias em custo, qualidade, velocidade, etc. Encoraja mudanças, como:
• Estruturas organizacionais agradáveis – menos gerentes e times com autonomia;
• Forças de trabalho polivalentes;
• Rigorosa reordenação de como as coisas são feitas, objetivando a simplificação.
Ela também posiciona estas mudanças dentro da cultura de melhoria sustentada pela
monitoração da melhoria contínua através do uso de medidas apropriadas.
3. Manutenção Estratégica
Não há uma fórmula perfeita que pode eliminar os problemas enfrentados na manutenção, ou
seja, nenhuma estratégia ou metodologia de gestão da manutenção é intrinsecamente melhor
que as outras. Cada uma possui o seu lugar, sendo que o verdadeiro desafio consiste em
encontrar qual é este lugar.
Pode-se avaliar que a melhor estratégia, ou melhor, metodologia irá variar de acordo com as
necessidades das instituições, grau de criticidade de seus processos e custos de produção, ou
de perda da produção. As diferenças entre as estratégias de manutenção muitas vezes são sutis
e se confundem. Instituições diferentes definirão suas estratégias de forma diferente, sendo
que para uma pode tratar-se de uma corretiva programada para a outra pode ser uma
preventiva. É importante respeitar estas diferenças “culturais” que podem influenciar no
processo de aceitação do novo.
Para Kardec e Nascif, (op. cit.), a manutenção estratégica precisa estar voltada para os
resultados empresariais da organização. É preciso deixar de ser apenas eficaz para se tornar
eficiente, ou seja, não basta apenas reparar o equipamento ou instalação tão rápido quanto
possível, é preciso principalmente manter a função do equipamento disponível para a
operação reduzindo a probabilidade de uma parada de produção não planejada.
Para definição das metas, que indicarão a Visão de Futuro, o melhor é a adoção do processo
de benchmarking. Na falta ou na impossibilidade de adoção deste processo pode-se definir as
metas conforme o cenário concorrencial que se consegue perceber KARDEC e NASCIF (op.
cit.).
3.1 Benchmarking e Benchmark
Os Japoneses têm uma palavra chamada “dantotsu” que significa lutar para tornar-se o
"melhor do melhor", com base num processo de alto aprimoramento que consiste em
procurar, encontrar e superar os pontos fortes dos concorrentes. Esse conceito enraizou-se
numa nova abordagem de planejamento estratégico.
Durante a última década, ele tem produzido resultados impressionantes em companhias como
Xerox, Ford e IBM. Benchmarking é um processo contínuo de comparação dos produtos,
serviços e práticas empresariais entre os mais fortes concorrentes ou empresas reconhecidas
como líderes. É um processo de pesquisa que permite realizar comparações de processos e
Revista da Engenharia de Instalações no mar da FSMA nº. 03 Jan./Jun. 2009.
práticas "companhia-a-companhia" para identificar o melhor do melhor e alcançar um nível
de superioridade ou vantagem competitiva.
Esse conceito surgiu como uma necessidade de informações e desejo de aprender depressa
como corrigir um problema empresarial. A competitividade mundial aumentou
acentuadamente nas últimas décadas, obrigando as empresas a um contínuo aprimoramento de
seus processos, produtos e serviços, visando oferecer alta qualidade com baixo custo e
assumir uma posição de liderança no mercado onde atua. Na maioria das vezes o
aprimoramento exigido, sobretudo pelos clientes dos processos, produtos e serviços,
ultrapassa a capacidade das pessoas envolvidas por estarem elas presas aos seus próprios
paradigmas.
Benchmark é uma medida, uma referência, um nível de desempenho, reconhecido como
padrão de excelência para um processo de negócios específico.
3.2 Indicadores de manutenção “classe mundial”
O uso de indicadores consiste em transformar atividades executadas em valores quantitativos.
Segundo Spinola e Pessoa (1997) a informação é uma ferramenta importante para a
organização, pois é através dela que se tem o domínio dos parâmetros que a contextualizam.
Para Tavares (op. cit.) a avaliação das atividades de manutenção, possibilita a tomada de
decisões. Conforme Takashina e Flores (1996), os indicadores devem ser trabalhados de
forma a evitar ações, interpretações e conotações que não levem ao aumento da produtividade,
ou seja, é preciso evitar a sua utilização apenas como forma de monitoramento sem
associação com a estratégia global da organização. Pensamento similar é compartilhado por
Xenos (1998), que recomenda o estabelecimento de controles simples, relevantes e que
possam ser úteis para gerar ações concretas.
Para Kardec; Flores; Seixas (2002) muito dos indicadores utilizados pelas empresas não
traduzem a realidade dos fatos, levando à tomada de decisões inadequadas que acarretam altos
custos. Isso se deve a erros na coleta de dados ou mesmo à interpretação equivocada de
resultados. As empresas têm testado diferentes estruturas organizacionais por meio de
adaptação de atividades, capacitação da mão-de-obra, adquirindo sistemas informatizados de
gestão, modificando as políticas de manutenção, introduzindo novas tecnologias, entre outros.
Numa tentativa de melhorar seu padrão de manutenção KARDEC; FLORES; SEIXAS (op.
cit.).
3.3 Melhores práticas
Segundo Kardec e Nascif (op. cit.), para se alcançar às metas planejadas, ou seja, para ir da
“Situação Atual” para a “Visão de Futuro”, é preciso implementar, em toda a organização, um
plano de ação suportado pelas melhores práticas, também conhecidas como caminhos
estratégicos. A questão fundamental não é apenas conhecer quais são estas melhores práticas,
mas, sobretudo, ter capacidade de liderar a sua implementação numa velocidade rápida.
Algumas melhores práticas de gestão da manutenção são:
a) Os dirigentes, nos diversos níveis, devem liderar o processo de sensibilização,
treinamento, implantação e auditoria das melhores práticas de SMS – Saúde, Meio Ambiente
e Segurança.
b) A gestão deverá ser baseada em itens de controle empresariais: disponibilidade,
confiabilidade, meio ambiente, custos, qualidade, segurança e outros específicos, com análise
crítica periódica.
Revista da Engenharia de Instalações no mar da FSMA nº. 03 Jan./Jun. 2009.
c) Gestão integrada do orçamento (manutenção e operação) buscando sempre, o resultado
do negócio através da análise criteriosa das receitas e dos custos. Análise crítica e
priorização das intervenções com base na disponibilidade, confiabilidade operacional e
resultado empresarial.
d) Utilização de pessoal qualificado e certificado.
e) Contratação, sempre que possível por resultado/parceria com indicadores de desempenho
focado nas metas da organização: disponibilidade, confiabilidade, custos, segurança, prazo de
atendimento e preservação ambiental.
3.4 BSC – Balanced Scorecard
Balanced Scorecard, ou BSC, pode ser traduzido por “Indicadores Balanceados de
Desempenho”. É o nome de uma metodologia no geral voltada à gestão estratégica das
empresas e em particular à manutenção. Por que indicadores balanceados? Para Kardec;
Flores; Seixas (op. cit.) esta metodologia pressupõe que a escolha de indicadores não pode
estar voltada apenas para uma dimensão, por exemplo, a financeira, ou a disponibilidade das
instalações, ou aspectos de segurança, ou de confiabilidade. Assim como não é possível
realizar um vôo seguro baseando-se apenas na velocidade do avião. Indicadores financeiros,
por exemplo, não são suficientes para garantir o sucesso da empresa e, principalmente, a sua
sustentabilidade.
Segundo Kardec; Flores; Seixas (op. cit.) uma visão integrada e balanceada da empresa
permite descrever a estratégia de forma clara, através de objetivos estratégicos em quatro
perspectivas:
- Financeira
- Mercado
- Processos Internos
- Aprendizado e Inovação
Segundo pesquisas mais recentes, 50% das melhores empresas americanas utilizam o
Balanced Scorecard e, segundo a Harvard Business Review, o BSC foi escolhido como uma
das práticas de gestão mais importantes e revolucionárias dos últimos 75 anos. É muito
importante que a gestão estratégica da manutenção, através de planejamento estratégico,
estabeleça indicadores em todas as dimensões.
4. Manutenção X Confiabilidade X Disponibilidade
Segundo Kardec e Nascif (op. cit.), confiabilidade e disponibilidade são palavras que fazem
parte do cotidiano da manutenção e é importante que sejam bem caracterizadas:
• CONFIABILIDADE: é a probabilidade que um item possa desempenhar sua função
requerida, por um intervalo de tempo estabelecido, sob condições definidas de uso
KARDEC; NASCIF (op. cit.).
• DISPONIBILIDADE: é o tempo em que o equipamento, sistema ou instalação está
disponível para operar ou em condições de produzir KARDEC; NASCIF (op. cit.).
• Ela pode ser calculada pela relação entre a diferença do número de horas do período
considerado (horas calendário) com o número de horas de intervenção pelo pessoal
manutenção (manutenção preventiva por tempo ou por estado, manutenção corretiva e
outros serviços) para cada item observado e o número total de horas:
Revista da Engenharia de Instalações no mar da FSMA nº. 03 Jan./Jun. 2009.
DISP = (HROP / HROP + HTMN) x 100
Tais conceitos estabelecem parâmetros para o aparecimento de falhas nos produtos ou
sistemas e os princípios e métodos que devem ser adotados nas fases de planejamento,
projeto, fabricação, recepção, transporte e operação, de modo a assegurar-lhes o máximo de
eficiência, segurança e economia.
A falha de um componente ou a falta de manutenção pode levar a acidentes desastrosos de
grande repercussão como:
a) Amoco Cadiz – 16 de março de 1978 – Costa da França acidente com o navio petroleiro. O
mau tempo, a deficiente manutenção do navio e a inépcia da tripulação foram alguns dos
fatores que hoje são apontados como tendo sido os principais causadores deste enorme
desastre ecológico.
b) Piper Alpha – 06 de julho de 1988 – Inglaterra (Mar do Norte), acidente em plataforma de
petróleo. Um vazamento de condensado de gás natural que se formou sobre a plataforma
incendiou-se, causando uma explosão enorme. A explosão iniciou incêndios secundários no
óleo, derretendo a tubulação de chegada de gás. O fornecimento de gás causou uma segunda
grande explosão que engolfou toda a plataforma. O grupo de investigação do acidente
concluiu que o vazamento inicial de condensado era resultante de trabalho de manutenção
sendo realizado simultaneamente numa bomba e sua válvula de segurança. A Occidental
Petroleum foi declarada culpada de ter procedimentos de manutenção inapropriados.
c) P-36 – 15 de marca de 2001 – Brasil, RJ - Acidente em plataforma de petróleo da
Petrobras. Após três explosões sucessivas em um tanque de óleo e gás da plataforma P-36,
instalada no Campo do Roncador, litoral norte fluminense. Ao todo, 11 funcionários
morreram. A empresa chegou a montar uma mega operação de resgate da plataforma, mas não
teve sucesso: cinco dias depois, a estrutura de 40 mil toneladas estava no fundo do mar. Na
época, era a maior e mais avançada plataforma semi-submersível do mundo. De acordo com
relatório conjunto emitido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pela Marinha, a
principal causa das explosões foi um problema no fechamento de uma válvula. Os técnicos
também apontaram erros de manutenção e deficiência no projeto da plataforma.
Estes acidentes ilustram porque a confiabilidade, disponibilidade, segurança e qualidade
tornaram-se essenciais em todos os processos de desenvolvimento.
A confiabilidade e disponibilidade em um sistema, bem ou serviço depende da maneira como
são feitas as intervenções nos equipamentos. Os elementos destes são fortemente afetados
pelas atividades de manutenção efetuadas.
5. Competitividade da Organização e a Função Manutenção
Kupfer (1992) afirma que a competitividade é função da adequação das estratégias das
empresas individuais ao padrão de concorrência vigente no mercado específico. A
competitividade das organizações seria medida pelo desvio de suas estratégias em relação
àquelas coerentes com o padrão de concorrência vigente.
Silva (2001) Classifica os fatores que determinam a competitividade de uma organização em
três grandes grupos:
a) Fatores sistêmicos - estão relacionados ao ambiente macroeconômico, político, social,
legal, internacional e à infra-estrutura, sobre os quais a empresa pode apenas exercer
influência. Compõem os fatores sistêmicos, dentre outros.
Revista da Engenharia de Instalações no mar da FSMA nº. 03 Jan./Jun. 2009.
b) Fatores estruturais - dizem respeito ao mercado, ou seja, à formação e estruturação da
oferta e demanda, bem como às suas formas regulatórias específicas. São fatores externos à
empresa, relacionados especificamente ao mercado em que atua, nos quais ela pode apenas
interferir. As seguintes questões devem ser respondidas pela empresa quanto aos fatores
estruturais.
c) Fatores internos - são aqueles que determinam diretamente a ação da empresa e definem
seu potencial para permanecer e concorrer no mercado. Os fatores internos estão efetivamente
sob o controle da empresa e dizem respeito a sua capacidade de gerenciar o negócio, a
inovação, os processos, a informação, as pessoas e o relacionamento com o cliente.
A gestão da manutenção é um fator interno importante, pois temos que uma organização será
mais competitiva na mesma proporção que atende às necessidades dos clientes internos e
externos (eficácia) e ao menor custo (eficiência).
A função manutenção contribui com a competitividade de uma organização quando garante
que os equipamentos ou instalações estarão prontos para serem operados quando requeridos
(disponibilidade) e pelo tempo necessário para a execução da tarefa, sem causar interrupções
ou atrasos no fornecimento do bem ou serviço (confiabilidade).
5.1. Paradigma moderno
A grande competição existente entre algumas organizações não permite que um equipamento
ou sistema pare de maneira não prevista. A gestão da manutenção consiste em ter uma equipe
atuando para evitar que ocorram falhas, e não manter esta equipe atuando apenas na correção
rápida destas falhas.
Pode-se comparar o trabalho da função manutenção ao trabalho de uma brigada de combate a
incêndio: quando ocorre a emergência a brigada deve atuar rapidamente, mas a principal
atividade da brigada, a partir daí, é evitar a ocorrência de novos incêndios.
Paradigma do passado: "O homem de manutenção sente-se bem quando executa um bom
reparo”.
Paradigma moderno: "O homem de manutenção sente-se bem quando ele consegue evitar
todas as falhas não previstas”.
Segundo Kardec e Nascif (op. cit.), no Brasil a maior parte das empresas ainda atua dentro do
paradigma do passado, sendo que algumas já conseguiram caminhar para o paradigma
moderno e estão dando grandes saltos nos resultados empresariais.
6. Considerações finais
Considerando o ambiente altamente competitivo da atualidade, onde a flexibilidade, a rapidez
de resposta e a inovação são os alicerces de sustentação da vantagem competitiva, tornando-se
imprescindível para as empresas que pretendem permanecer no negócio, possuir ferramentas
de apoio à tomada de decisão e acompanhamento dos progressos obtidos com a introdução de
melhorias nos processos.
Em um passado não muito distante a função manutenção somente era lembrada na ocorrência
de falhas de equipamentos e que gerassem impactos diretos no processo, ou seja, lembra-se da
manutenção apenas durante parada do processo e muito pouco na sua estabilidade.
A evolução das demandas da sociedade: qualidade, preço e características que atendam às
necessidades dos clientes vem transformando o papel da função manutenção dentro das
organizações. O custo da realização de uma manutenção ou sua falta pode inviabilizar um
Revista da Engenharia de Instalações no mar da FSMA nº. 03 Jan./Jun. 2009.
negócio, como no caso da aviação, onde um acidente por falta de manutenção afastaria
clientes e muito provavelmente levaria a empresa a sair do negócio.
A correta utilização de indicadores, como confiabilidade e disponibilidade, que auxiliam na
avaliação do desempenho da manutenção e a tomada de decisões dependerá basicamente da
capacidade de cada responsável pelo indicador em gerar as melhorias nos processos, na
participação do mercado, na satisfação e retenção dos clientes, da capacidade física e
financeira da empresa e do no desempenho: financeiro, dos funcionários e dos fornecedores
para implementar com êxito estas melhorias para a sobrevivência, competitividade e evolução
constante da empresa.
A condução dos negócios requer uma mudança profunda de mentalidade e de posturas. A
função manutenção moderna deve estar sustentada por uma visão de futuro e regida por
processos de gestão orientados a melhoria contínua, produtividade e competitividade.
Referências
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em: <http://www.mantenimientomundial.com/sites/mmnew/bib/articulos/4indices.asp>. Acessado em: 10 jan.
2009.
KARDEC, A; FLORES, J.; SEIXAS, E. Gestão estratégica e indicadores de desempenho. Rio de Janeiro:
Qualitymark: ABRAMAN, 2002.
KUPFER, D. Padrões de concorrência e competitividade. Disponível em: < www.ie.ufrj.br/gic/pdfs/1992-
2_Kupfer.pdf >. Acessado em: 01mai. 2009.
MAINTENANCE 2000. What is Total Productive Maintenance? Disponível em:
<http://www.maint2k.com/tpm-total-productive-maintenance-training.html>. Acessado em: 16 nov. 2003.
NASCIF, J.. Manutenção - Função estratégica. 2ª edição. Rio de Janeiro: QualityMark, 2001.
PONTES, B. R. Avaliação de desempenho nova abordagem – Métodos de avaliação individual e de equipes.
São Paulo: LTR, 2002.
ROCHA, R.. Dicionário da Língua Portuguesa. Editora: Scipione, 1996.
SCAPIN, C. A. Análise sistêmica de falhas. Belo Horizonte: Editor de Desenvolvimento Gerencial, 1999.
SILVA, C. L. Competitividade: mais que um objetivo, uma necessidade. Revista FAE BUSINESS , pag. 1-3,
n.1, nov. 2001
SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. Segunda edição. São Paulo:
Atlas, 2002.
TAVARES, L. A.. Administração moderna de manutenção. Rio de Janeiro: Novo Polo Publicações, 1999.
Revista da Engenharia de Instalações no mar da FSMA nº. 03 Jan./Jun. 2009.
VIANA, H. R. G PCM, Planejamento e controle de manutenção. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.
XENOS, H. G. Gerenciando a manutenção produtiva – EDG – Editora de Desenvolvimento Gerencial, 1998
Manutenção Industrial
A todos que se ocupam em resolver, melhorar e inovar durante toda a vida profissional, que acho que nunca acaba.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Planejar a Manutenção -parte 2-
A mantenabilidade é um parâmetro de projeto. A manutenção é uma conseqüência do projeto.
A mantenabilidade é uma característica inerente ao projeto de um sistema ou de um produto.
Então, atributos como precisão, segurança e economia relativa às ações de manutenção,
devem estar contidos em cada item (componente, subsistema ou sistema) e em todas as fases
do projeto. Isso significa que o produto deve ser projetado na perspectiva de que cada item
que o constitui, quando do processo de perda da funcionalidade ou mesmo após a falha da
função, seja recuperado para a condição de “tão bom quanto novo”, qualquer que seja a ação
de manutenção executada: corretiva, preventiva ou preditiva.
A NBR-5462(1994) define manutenção como “a combinação de todas as ações técnicas e
administrativas, incluindo as de supervisão, destinadas a manter ou recolocar um item em um
estado no qual possa desempenhar uma função requerida”. Salienta-se que a norma define
item como “qualquer parte, conjunto, dispositivo, subsistema, unidade funcional,
equipamento ou sistema que possa ser considerado individualmente”.
Manutenção corretiva é efetuada após a ocorrência de uma falha destinada a recolocar um
item em condições de executar uma função requerida. Manutenção preventiva é efetuada em
intervalos predeterminados, ou de acordo com critérios prescritos, destinada a reduzir a
probabilidade de falha ou degradação do funcionamento de um item. E manutenção preditiva
busca a qualidade de serviço desejada, com base na aplicação sistemática de técnicas de
medições e análise, utilizando-se de meios de supervisão ou de amostragem, para reduzir ao
mínimo a manutenção preventiva e diminuir a manutenção corretiva. Moubray (1992) cita
também a manutenção detectiva como aquela associada a itens que só trabalham quando
necessário e por isso não informam quando estão em estado de falha. Exemplo desses itens:
sistemas de alarme, dispositivos de medição e controle. Estas falhas são denominadas de
falhas ocultas.
Essas sistemáticas de manutenção têm algumas variantes, e tem evoluído no tempo. A
adoção do projeto para a mantenabilidade do produto, melhora os procedimentos, o acesso aos
itens, a detecção das falhas, a instrumentação associada, os materiais, as ferramentas, o
treinamento da mão de obra e os procedimentos para executar a manutenção (Blanchard,
A exigência de disponibilidade proporcionou à manutenção, um destaque em relação
ao grau de importância para o projeto do produto e para a gestão do processo produtivo. A
política de manutenção imprimida ao produto ou ao processo, passou a era considerada como
uma vantagem competitiva.
Essa política tem alcançado maior sucesso nas instituições que gerenciam o sistema
produtivo sob o enfoque da qualidade, competitividade e lucratividade. Nesses casos o uso de
um sistema de gestão fundamentado na Manutenção para a Produtividade Total (TPM) e/ou
na Manutenção Centrada na Confiabilidade (MCC), tem apresentado maior chance de
sucesso.
A identificação desses parâmetros para componentes e sistemas permite fazer o
planejamento das ações de manutenção no período de vida do item.
Além da definição matemática, tem também as definições que são expressas por normas ou
por autores, que na maioria dos casos, exprimem suas experiências específicas. A opção por
uma ou outra definição de confiabilidade fica a critério de quem está efetuando o estudo sobre
o tema. De qualquer modo deve-se, em qualquer que seja a definição, considerar quatro
estruturas fundamentais: a probabilidade, o comportamento adequado, o período de uso
(ou de vida) e a condições de uso (Dias, 1996).
A probabilidade fornece a entrada numérica inicial para avaliação da confiabilidade.
Para isso, não existe uma simples fórmula ou uma única técnica. Elas dependem do problema
existente e das condições de contorno estabelecidas. A validade de análise do sistema está
diretamente relacionada com a validade do modelo usado para representar o sistema. A
probabilidade está normalmente associada às variáveis aleatórias, vinculadas:
· ao número de falhas que ocorrerá num período especificado de uso;
· ao tempo, distância, ciclos médios até (entre) falhas;
· ao tempo médio de parada ou tempo de parada do dispositivo;
· à perda de rendimento esperada devido à falha;
· à perda de produção esperada devido à falha.
O comportamento adequado chama a atenção para a existência de um padrão,
anteriormente definido. Esse padrão pode estar associado à média ou a um critério de medida
efetiva, que se usa para comparar o comportamento do que se deseja avaliar. É evidente que
esse padrão apresentará dispersões em relação a uma referência ideal. Torna-se necessário,
então, estabelecer alguns referenciais para medir a dispersão, como desvio padrão, análise de
correlação, a fim de orientar-se acerca do comportamento do item em análise.
O período de uso (de vida ou de tempo) deve ser analisado a partir da premissa
básica de que a falha ocorrerá, mais cedo ou mais tarde. Nesse caso também é importante que
seja definido um período padrão ou período de referência. Esses períodos, classificados
normalmente como contínuos ou discretos, vão depender das condições de uso e
principalmente do tipo de informação a ser obtida. A denominação “período” pode estar
associada ao tempo e é chamado de intervalo, pela norma (ABNT 5462/94). Este tempo
contudo, é uma variável que pode ser expressa em distância percorrida em (km), o número de
ciclos (n) ou o tempo em (h) de funcionamento normal do item. Nas normas da ABNT
(NBR5462/94) têm-se explicitados outros períodos:
· período de falhas devido à deterioração;
· período de falhas inicial;
· período de taxa de falhas constante.
É senso comum, utilizar o termo período, para situações como:
· período de vida útil;
· período de uso desejado;
· período de garantia.
As condições de operação referem-se à adequação do ambiente de uso relativo às
variáveis de projeto inicialmente fixadas. Essa condição necessita ser bem definida, dado que
o sucesso de um evento pode não se manter, se as premissas anteriormente estabelecidas
forem alteradas. É importante definir padrões de pressão, temperatura, umidade, esforços,
deformações, número de ciclos, distância percorrida etc., para garantir a confiabilidade
inicialmente proposta.
O planejamento da manutenção vai depender de uma série de informações que estão
integradas ao processo produtivo. Aliás, entende-se que a manutenção faz parte do processo
produtivo e pode se constituir numa vantagem competitiva para a empresa.
Assim sendo, algumas medidas são referenciais para a gestão da manutenção. Dentre
elas se destacam: a taxa de falha, a taxa de recolocação, os tempos médios até falha (MTTF)
para itens não-reparáveis, tempos médios entre falhas (MTBF) para itens reparáveis, tempos
médios até a recolocação (MTTR), entre outros. Essas medidas são obtidas num determinado
intervalo de tempo e em condições específicas de trabalho. A extrapolação dessas
informações de forma generalizada torna-se possível através da representação em
distribuições de probabilidades. De uma forma ou de outra, todas estas informações são
dependentes das falhas.
Falha é definida como o término da capacidade de um item de desempenhar a função
requerida (ABNT, 1994). As falhas são representadas de muitas maneiras. Neste trabalho
serão mostrados alguns exemplos de como estas falhas podem ser representadas e seus
reflexos na relação entre confiabilidade e manutenção.
A mantenabilidade é uma característica inerente ao projeto de um sistema ou de um produto.
Então, atributos como precisão, segurança e economia relativa às ações de manutenção,
devem estar contidos em cada item (componente, subsistema ou sistema) e em todas as fases
do projeto. Isso significa que o produto deve ser projetado na perspectiva de que cada item
que o constitui, quando do processo de perda da funcionalidade ou mesmo após a falha da
função, seja recuperado para a condição de “tão bom quanto novo”, qualquer que seja a ação
de manutenção executada: corretiva, preventiva ou preditiva.
A NBR-5462(1994) define manutenção como “a combinação de todas as ações técnicas e
administrativas, incluindo as de supervisão, destinadas a manter ou recolocar um item em um
estado no qual possa desempenhar uma função requerida”. Salienta-se que a norma define
item como “qualquer parte, conjunto, dispositivo, subsistema, unidade funcional,
equipamento ou sistema que possa ser considerado individualmente”.
Manutenção corretiva é efetuada após a ocorrência de uma falha destinada a recolocar um
item em condições de executar uma função requerida. Manutenção preventiva é efetuada em
intervalos predeterminados, ou de acordo com critérios prescritos, destinada a reduzir a
probabilidade de falha ou degradação do funcionamento de um item. E manutenção preditiva
busca a qualidade de serviço desejada, com base na aplicação sistemática de técnicas de
medições e análise, utilizando-se de meios de supervisão ou de amostragem, para reduzir ao
mínimo a manutenção preventiva e diminuir a manutenção corretiva. Moubray (1992) cita
também a manutenção detectiva como aquela associada a itens que só trabalham quando
necessário e por isso não informam quando estão em estado de falha. Exemplo desses itens:
sistemas de alarme, dispositivos de medição e controle. Estas falhas são denominadas de
falhas ocultas.
Essas sistemáticas de manutenção têm algumas variantes, e tem evoluído no tempo. A
adoção do projeto para a mantenabilidade do produto, melhora os procedimentos, o acesso aos
itens, a detecção das falhas, a instrumentação associada, os materiais, as ferramentas, o
treinamento da mão de obra e os procedimentos para executar a manutenção (Blanchard,
A exigência de disponibilidade proporcionou à manutenção, um destaque em relação
ao grau de importância para o projeto do produto e para a gestão do processo produtivo. A
política de manutenção imprimida ao produto ou ao processo, passou a era considerada como
uma vantagem competitiva.
Essa política tem alcançado maior sucesso nas instituições que gerenciam o sistema
produtivo sob o enfoque da qualidade, competitividade e lucratividade. Nesses casos o uso de
um sistema de gestão fundamentado na Manutenção para a Produtividade Total (TPM) e/ou
na Manutenção Centrada na Confiabilidade (MCC), tem apresentado maior chance de
sucesso.
A identificação desses parâmetros para componentes e sistemas permite fazer o
planejamento das ações de manutenção no período de vida do item.
Além da definição matemática, tem também as definições que são expressas por normas ou
por autores, que na maioria dos casos, exprimem suas experiências específicas. A opção por
uma ou outra definição de confiabilidade fica a critério de quem está efetuando o estudo sobre
o tema. De qualquer modo deve-se, em qualquer que seja a definição, considerar quatro
estruturas fundamentais: a probabilidade, o comportamento adequado, o período de uso
(ou de vida) e a condições de uso (Dias, 1996).
A probabilidade fornece a entrada numérica inicial para avaliação da confiabilidade.
Para isso, não existe uma simples fórmula ou uma única técnica. Elas dependem do problema
existente e das condições de contorno estabelecidas. A validade de análise do sistema está
diretamente relacionada com a validade do modelo usado para representar o sistema. A
probabilidade está normalmente associada às variáveis aleatórias, vinculadas:
· ao número de falhas que ocorrerá num período especificado de uso;
· ao tempo, distância, ciclos médios até (entre) falhas;
· ao tempo médio de parada ou tempo de parada do dispositivo;
· à perda de rendimento esperada devido à falha;
· à perda de produção esperada devido à falha.
O comportamento adequado chama a atenção para a existência de um padrão,
anteriormente definido. Esse padrão pode estar associado à média ou a um critério de medida
efetiva, que se usa para comparar o comportamento do que se deseja avaliar. É evidente que
esse padrão apresentará dispersões em relação a uma referência ideal. Torna-se necessário,
então, estabelecer alguns referenciais para medir a dispersão, como desvio padrão, análise de
correlação, a fim de orientar-se acerca do comportamento do item em análise.
O período de uso (de vida ou de tempo) deve ser analisado a partir da premissa
básica de que a falha ocorrerá, mais cedo ou mais tarde. Nesse caso também é importante que
seja definido um período padrão ou período de referência. Esses períodos, classificados
normalmente como contínuos ou discretos, vão depender das condições de uso e
principalmente do tipo de informação a ser obtida. A denominação “período” pode estar
associada ao tempo e é chamado de intervalo, pela norma (ABNT 5462/94). Este tempo
contudo, é uma variável que pode ser expressa em distância percorrida em (km), o número de
ciclos (n) ou o tempo em (h) de funcionamento normal do item. Nas normas da ABNT
(NBR5462/94) têm-se explicitados outros períodos:
· período de falhas devido à deterioração;
· período de falhas inicial;
· período de taxa de falhas constante.
É senso comum, utilizar o termo período, para situações como:
· período de vida útil;
· período de uso desejado;
· período de garantia.
As condições de operação referem-se à adequação do ambiente de uso relativo às
variáveis de projeto inicialmente fixadas. Essa condição necessita ser bem definida, dado que
o sucesso de um evento pode não se manter, se as premissas anteriormente estabelecidas
forem alteradas. É importante definir padrões de pressão, temperatura, umidade, esforços,
deformações, número de ciclos, distância percorrida etc., para garantir a confiabilidade
inicialmente proposta.
O planejamento da manutenção vai depender de uma série de informações que estão
integradas ao processo produtivo. Aliás, entende-se que a manutenção faz parte do processo
produtivo e pode se constituir numa vantagem competitiva para a empresa.
Assim sendo, algumas medidas são referenciais para a gestão da manutenção. Dentre
elas se destacam: a taxa de falha, a taxa de recolocação, os tempos médios até falha (MTTF)
para itens não-reparáveis, tempos médios entre falhas (MTBF) para itens reparáveis, tempos
médios até a recolocação (MTTR), entre outros. Essas medidas são obtidas num determinado
intervalo de tempo e em condições específicas de trabalho. A extrapolação dessas
informações de forma generalizada torna-se possível através da representação em
distribuições de probabilidades. De uma forma ou de outra, todas estas informações são
dependentes das falhas.
Falha é definida como o término da capacidade de um item de desempenhar a função
requerida (ABNT, 1994). As falhas são representadas de muitas maneiras. Neste trabalho
serão mostrados alguns exemplos de como estas falhas podem ser representadas e seus
reflexos na relação entre confiabilidade e manutenção.
Planejar a manutenção - parte 1-
A atividade de engenharia é, nos dias de hoje, mais do que em qualquer outro momento, uma
atividade coletiva. O trabalho de equipe (time), o assessoramento de especialistas, o registro
de informações e a gestão de todo esse processo, encontra-se na atualidade, ao nível das
necessidades básicas.
Esse paradigma vem sendo impulsionado pelo mercado que exige máquinas e
equipamentos de baixo custo com qualidade, que execute tarefas cada vez mais complexas em
menor tempo, com segurança e máxima disponibilidade.
A manutenção industrial e os agentes de manutenção, nesse contexto, são motivados a
estudarem e reorganizarem o tempo em atividades que leve a tomada de decisão integrada ao
sistema de produção. O foco da discussão está apontado para sistemas de gestão da
manutenção, que possam fornecer resultados mais promissores do que os obtidos pela
manutenção centrada no reparo - MCR. O destaque atual está na manutenção centrada na
confiabilidade – MCC (RCM - Reliability Centered Maintenance) e manutenção para a
produtividade total MPT (TPM – Total Productive Maintenance).
O que está colocado no presente momento é como se fará a adoção das novas práticas?
Como correlacionar as atividades de manutenção praticada em nível de “chão de
fábrica”, com a confiabilidade, que é um atributo do projeto do produto, e com a
produtividade, que está num contexto gerencial mais amplo? O que deve ser identificado
como atributo norteador da relação confiabilidade e manutenção?
Estas questões têm nos motivado a fazer vários estudos, procurando imprimir conceitos e
procedimentos que considere estas questões e que as integre em todo o processo de produção.
Olhando ao longo da história do desenvolvimento tecnológico, nota-se que nos chamados
países do “primeiro mundo”, tecnologias e métodos de controle de processo foram sendo
testados e implementados. Algumas dessas experiências que tinham aplicações
específicas, como por exemplo, no setor aeroespacial ou nuclear, como no caso da
Manutenção Centrada na Confiabilidade (MCC), que se fundamenta na redundância,
entre outras diretrizes, expandiram-se, após adequadamente formuladas e, hoje, estão
presentes em diversos segmentos do setor produtivo e de serviços. Já a Manutenção para
a Produtividade Total (TPM), nasceu dos programas de melhoria de qualidade, no
“chão de fábrica”, portanto, adaptada ao setor industrial, fundamentando-se na
capacitação e integração dos atores, entre outras diretrizes.
A função disponibilidade e a função manutenção
O principal objetivo de qualquer empresa, nos dias atuais, é otimizar o desempenho da
planta produtiva, controlar e reduzir os custos de produção, aumentar ou pelo menos manter a
lucratividade. Nesse sentido a atividade de manutenção passa a ter como objetivo
fundamental, garantir patamares, cada vez mais altos, da disponibilidade do sistema
produtivo. Sem essa visão, os resultados da atividade de manutenção ficam restritos ao
desempenho de cada ação, perdendo a visão global.
Segundo a NBR-5462 (1994), disponibilidade é a capacidade de um item estar em condições
de executar uma certa função em um dado instante ou durante um intervalo de tempo
determinado, levando-se em conta os aspectos combinados de sua confiabilidade,
mantenabilidade e suporte de manutenção, supondo que os recursos externos requeridos
estejam assegurados.
A disponibilidade de um dado produto ou sistema, está na verdade, diretamente associado
com a “qualidade temporal” ou vida desse sistema, se considerado reparável.
Objetivos da manutenção sistemática*Quebra
*Ajustes (setup)
*Pequenas paradas/ tempo ocioso
*Baixa velocidade
*Qualidade insatisfatória
*Perdas com start-up
Política de Manutenção:
*Projeto robusto.
*Manutenibilidade.
*Postura preventiva.
*Treinamento de operadores.
*Estoque estratégico de peças sobressalentes.
*Plano de Manutenção e de Contingência
*Redundância de equipamentos.
*Maior número de máquinas com menor utilização.
atividade coletiva. O trabalho de equipe (time), o assessoramento de especialistas, o registro
de informações e a gestão de todo esse processo, encontra-se na atualidade, ao nível das
necessidades básicas.
Esse paradigma vem sendo impulsionado pelo mercado que exige máquinas e
equipamentos de baixo custo com qualidade, que execute tarefas cada vez mais complexas em
menor tempo, com segurança e máxima disponibilidade.
A manutenção industrial e os agentes de manutenção, nesse contexto, são motivados a
estudarem e reorganizarem o tempo em atividades que leve a tomada de decisão integrada ao
sistema de produção. O foco da discussão está apontado para sistemas de gestão da
manutenção, que possam fornecer resultados mais promissores do que os obtidos pela
manutenção centrada no reparo - MCR. O destaque atual está na manutenção centrada na
confiabilidade – MCC (RCM - Reliability Centered Maintenance) e manutenção para a
produtividade total MPT (TPM – Total Productive Maintenance).
O que está colocado no presente momento é como se fará a adoção das novas práticas?
Como correlacionar as atividades de manutenção praticada em nível de “chão de
fábrica”, com a confiabilidade, que é um atributo do projeto do produto, e com a
produtividade, que está num contexto gerencial mais amplo? O que deve ser identificado
como atributo norteador da relação confiabilidade e manutenção?
Estas questões têm nos motivado a fazer vários estudos, procurando imprimir conceitos e
procedimentos que considere estas questões e que as integre em todo o processo de produção.
Olhando ao longo da história do desenvolvimento tecnológico, nota-se que nos chamados
países do “primeiro mundo”, tecnologias e métodos de controle de processo foram sendo
testados e implementados. Algumas dessas experiências que tinham aplicações
específicas, como por exemplo, no setor aeroespacial ou nuclear, como no caso da
Manutenção Centrada na Confiabilidade (MCC), que se fundamenta na redundância,
entre outras diretrizes, expandiram-se, após adequadamente formuladas e, hoje, estão
presentes em diversos segmentos do setor produtivo e de serviços. Já a Manutenção para
a Produtividade Total (TPM), nasceu dos programas de melhoria de qualidade, no
“chão de fábrica”, portanto, adaptada ao setor industrial, fundamentando-se na
capacitação e integração dos atores, entre outras diretrizes.
A função disponibilidade e a função manutenção
O principal objetivo de qualquer empresa, nos dias atuais, é otimizar o desempenho da
planta produtiva, controlar e reduzir os custos de produção, aumentar ou pelo menos manter a
lucratividade. Nesse sentido a atividade de manutenção passa a ter como objetivo
fundamental, garantir patamares, cada vez mais altos, da disponibilidade do sistema
produtivo. Sem essa visão, os resultados da atividade de manutenção ficam restritos ao
desempenho de cada ação, perdendo a visão global.
Segundo a NBR-5462 (1994), disponibilidade é a capacidade de um item estar em condições
de executar uma certa função em um dado instante ou durante um intervalo de tempo
determinado, levando-se em conta os aspectos combinados de sua confiabilidade,
mantenabilidade e suporte de manutenção, supondo que os recursos externos requeridos
estejam assegurados.
A disponibilidade de um dado produto ou sistema, está na verdade, diretamente associado
com a “qualidade temporal” ou vida desse sistema, se considerado reparável.
Objetivos da manutenção sistemática
*Melhorar a segurança.
* Aumentar a confiabilidade.
*Maior Qualidade e Produtividade
*Reduzir custos de operação
*Aumentar tempo de vida
*Valor final mais alto
Perdas a serem combatidas:* Aumentar a confiabilidade.
*Maior Qualidade e Produtividade
*Reduzir custos de operação
*Aumentar tempo de vida
*Valor final mais alto
*Ajustes (setup)
*Pequenas paradas/ tempo ocioso
*Baixa velocidade
*Qualidade insatisfatória
*Perdas com start-up
Política de Manutenção:
*Manutenibilidade.
*Postura preventiva.
*Treinamento de operadores.
*Estoque estratégico de peças sobressalentes.
*Plano de Manutenção e de Contingência
*Redundância de equipamentos.
*Maior número de máquinas com menor utilização.
José Donizeti Lázaro
Técnico de manutenção Industrial
O objetivo deste blog, é tratar desse assunto onde o caminho está sempre em construção, e que diverge por ser complexo e de diversas vias.
Primeiramente vamos conhecer como surgiu a manutenção:
Conforme indicado por Monchy (2003), as primeiras referências à palavra
Manutenção datam do século XII, mostrando que a história da Função
acompanha o próprio desenvolvimento tecnológico-industrial da humanidade.
Assim, como descreve Tavares (2000), a necessidade de realização
sistemática de reparos surge no final do século XIX, com a mecanização das
indústrias.
Segundo tal descrição, até 1914 a Manutenção possuía uma importância
secundária, sendo executada pelo mesmo pessoal alocado na Produção. Com
o advento da I Guerra Mundial e a introdução das linhas de montagem
idealizadas por Henry Ford, as fábricas passaram a necessitar de equipes
específicas que pudessem efetuar os reparos nas máquinas operatrizes no
menor prazo possível, surgindo um órgão formalmente estabelecido,
subordinado à Operação, cujo objetivo básico era executar a Manutenção hoje
conhecida como Corretiva.
Esta situação se manteve até o final da década de 30, quando, em função da II
Guerra Mundial e da necessidade de grande rapidez de produção, as
administrações industriais passaram a se preocupar não só em corrigir falhas,
mas também em evitar que elas ocorressem, com o pessoal de Manutenção
passando a desenvolver a prevenção de danos e avarias - Manutenção
Preventiva - que, juntamente com a Corretiva, completava o quadro geral da
Função, formando uma estrutura de mesmo nível hierárquico que o da
Operação.
E o que é manutenção ?
A manutenção de instalações tem por objetivo básico mantê-las operando nas condições para as quais foram projetadas, e também fazer com que retornem a tal condição, caso tenham deixado de exercê-la.
Petrônio Martins
Abordando o último tema, iremos dar andamentos sobre nossos métodos e formas de agir.
José Donizeti Lázaro
Técnico de manutenção industrial
Primeiramente vamos conhecer como surgiu a manutenção:
Conforme indicado por Monchy (2003), as primeiras referências à palavra
Manutenção datam do século XII, mostrando que a história da Função
acompanha o próprio desenvolvimento tecnológico-industrial da humanidade.
Assim, como descreve Tavares (2000), a necessidade de realização
sistemática de reparos surge no final do século XIX, com a mecanização das
indústrias.
Segundo tal descrição, até 1914 a Manutenção possuía uma importância
secundária, sendo executada pelo mesmo pessoal alocado na Produção. Com
o advento da I Guerra Mundial e a introdução das linhas de montagem
idealizadas por Henry Ford, as fábricas passaram a necessitar de equipes
específicas que pudessem efetuar os reparos nas máquinas operatrizes no
menor prazo possível, surgindo um órgão formalmente estabelecido,
subordinado à Operação, cujo objetivo básico era executar a Manutenção hoje
conhecida como Corretiva.
Esta situação se manteve até o final da década de 30, quando, em função da II
Guerra Mundial e da necessidade de grande rapidez de produção, as
administrações industriais passaram a se preocupar não só em corrigir falhas,
mas também em evitar que elas ocorressem, com o pessoal de Manutenção
passando a desenvolver a prevenção de danos e avarias - Manutenção
Preventiva - que, juntamente com a Corretiva, completava o quadro geral da
Função, formando uma estrutura de mesmo nível hierárquico que o da
Operação.
E o que é manutenção ?
Manutenção é o termo usado para abordar a forma pela qual as organizações tentam evitar as falhas cuidando de suas instalações físicas. N.Slack
Petrônio Martins
Abordando o último tema, iremos dar andamentos sobre nossos métodos e formas de agir.
José Donizeti Lázaro
Técnico de manutenção industrial
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